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Mercado Imobiliario

Vendas de imóveis em BH recuam 6,7% no primeiro semestre de 2026

Capital comercializou 12.099 unidades entre janeiro e junho, enquanto preços dos apartamentos avançaram e segmentos Econômico e Super Luxo ganharam participação

30/08/2026 23h19
Por: Luzimar de Jesus
Vista aéra dos prédios de Belo Horizonte | Crédito: Minas & Indústria/Divulgação
Vista aéra dos prédios de Belo Horizonte | Crédito: Minas & Indústria/Divulgação

O mercado imobiliário de Belo Horizonte movimentou a comercialização de 12.099 imóveis nos seis primeiros meses de 2026. O volume, que reúne unidades residenciais, pontos comerciais e lotes, ficou 6,7% abaixo das 12.970 unidades negociadas no mesmo intervalo de 2025.

A redução ocorre após um período de crescimento expressivo do setor e, na avaliação do vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário do Sindicato da Habitação de Minas Gerais (Secovi), Luis Lara, representa mais uma acomodação do mercado do que uma perda significativa de dinamismo.

“Não vejo como uma queda preocupante, mas como um assentamento mesmo do mercado imobiliário”, afirma.

O ambiente macroeconômico, no entanto, trouxe obstáculos adicionais para parte dos compradores. A combinação entre juros elevados e endividamento das famílias contribuiu para reduzir a capacidade de compra, especialmente entre consumidores mais dependentes de financiamento.

“Taxa Selic alta, famílias endividadas são fatores que contribuem para uma retração também”, diz Lara.

Segmento residencial concentra os negócios

Os imóveis residenciais continuaram dominando as transações realizadas na capital. Eles representaram aproximadamente 90% das unidades comercializadas no primeiro semestre.

Entre os apartamentos, foram vendidas 9.485 unidades, contra 10.206 no mesmo período de 2025. O resultado corresponde a uma retração de 7,1%.

A evolução, contudo, não foi uniforme entre os diferentes padrões de imóveis. Os segmentos Super Luxo e Econômico Faixa 4 registraram crescimento de 4,8% cada, enquanto o Standard avançou 2,4%.

Na direção oposta, as vendas recuaram nos padrões Luxo (-33,2%), Alto (-25,9%), Médio (-19,3%) e Econômico (-7,9%).

Para Luis Lara, as razões que explicam o comportamento dos segmentos de maior e menor renda são diferentes. No mercado de alto padrão, a menor necessidade de crédito reduz o impacto direto da taxa de juros sobre a decisão de compra.

“É um mercado que não precisa do crédito para comprar. É uma compra que às vezes é emocional, o cliente gostou do tipo do produto, vai lá e compra mesmo”, afirma.

Entre os imóveis econômicos, a demanda está mais ligada à necessidade de aquisição da moradia e às possibilidades de financiamento disponíveis aos compradores.

“É uma necessidade de moradia realmente imediata. A gente tem um déficit de moradia no País”, diz o executivo.

Imóveis de menor valor dominam mercado de BH

Os dados do Data Secovi reforçam o peso dos imóveis econômicos no mercado imobiliário da capital. Considerando o período entre 2022 e 2026, o padrão Econômico, incluindo a Faixa 4 — composta por imóveis entre R$ 400 mil e R$ 600 mil — correspondeu a 62,4% das unidades comercializadas em Belo Horizonte.

Em contraste, os padrões Luxo e Super Luxo somaram 2,5% das vendas no período.

A composição do mercado no primeiro semestre deste ano também evidencia essa concentração. Aproximadamente 36,6% das unidades negociadas pertenciam aos padrões Econômico Faixas 2 e 3, com valores de até R$ 400 mil. Outros 22,5% estavam enquadrados no Econômico Faixa 4.

Os imóveis classificados como Luxo, com preços entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, e Super Luxo, acima de R$ 5 milhões, responderam por 2,4% das unidades comercializadas.

A classe média aparece como um dos grupos mais sensíveis ao cenário de crédito mais caro, segundo Lara.

“A classe média é sempre mais impactada quando se tem altas taxas de juros. Então, quando ela sente, ela recua”, afirma.

Metro quadrado fica mais caro apesar da retração

A queda no número de unidades negociadas não foi acompanhada por redução no preço médio dos apartamentos. Entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, o valor médio do metro quadrado privativo passou de R$ 14.356 para R$ 14.574, uma valorização de 1,5%.

No segmento Super Luxo, o preço médio alcançou R$ 19.195,14 por metro quadrado.

Para o cálculo do indicador, foram retiradas as vendas de imóveis com valores superiores a R$ 10 milhões, com o objetivo de evitar que operações isoladas provocassem distorções na média.

A localização continua sendo um dos principais fatores de diferenciação dos preços praticados na capital. Lourdes e Gutierrez, na região Centro-Sul, e São José, na Pampulha, apresentaram os maiores valores médios do metro quadrado privativo, todos acima de R$ 21 mil.

Já Pilar e Olaria, no Barreiro, e Madre Gertrudes, na região Oeste, ficaram na outra extremidade do ranking, com preços inferiores a R$ 3.150 por metro quadrado.

Expectativa é de aceleração na segunda metade do ano

Mesmo com o desempenho negativo acumulado até junho, o mercado trabalha com a possibilidade de retomada das vendas no segundo semestre. A avaliação de Luis Lara é que a concentração de recursos adicionais no fim do ano e a concretização de decisões tomadas ao longo dos meses costumam favorecer os negócios imobiliários.

“A gente sempre tem essa tendência de um segundo semestre melhor que o primeiro, porque há 13º e bônus de empresas. As pessoas também tendem a concluir planos pessoais”, explica.

A decisão de comprar um imóvel, segundo o executivo, normalmente não ocorre de forma imediata. O consumidor passa meses avaliando a mudança e, em muitos casos, concretiza a aquisição apenas no fim do ano.

“Você pensa o ano inteiro e conclui lá no final: vou mudar para tal lugar. Então, a pessoa vai planejando”, afirma.

O desempenho financeiro do mercado também apresentou concentração regional. Buritis, na região Oeste, e Lourdes e Savassi, na região Centro-Sul, lideraram o Valor Geral de Vendas (VGV) de Belo Horizonte no primeiro semestre.

Somados, os três bairros responderam por 9% do VGV total da capital, movimentando aproximadamente R$ 1,11 bilhão.

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