O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, criticou nesta terça-feira (1º/9) os registros que apontam que uma versão de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria sido editada a partir de um sistema associado ao perfil do magistrado.
Em publicação no X, antigo Twitter, o ex-governador de Minas Gerais classificou Moraes como “projetinho de ditador” e defendeu a prisão do ministro.
“Esse projetinho de ditador nunca me enganou. A PF acaba de demonstrar que o Min. Alexandre de Moraes editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa pra despachar processo", escreveu Zema.
Na sequência, o candidato retomou uma iniciativa adotada durante seu período à frente do governo mineiro.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia”, emendou.
Ainda na publicação, Zema afirmou que Moraes teria solicitado diretamente à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal proteção para Vorcaro.
As mensagens obtidas a partir do celular do banqueiro, entretanto, apresentam outra versão dos fatos. Conforme o material divulgado, foi Vorcaro quem pediu ao ministro que procurasse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de conter o avanço das investigações.
Os registros divulgados até o momento não mostram que Moraes tenha efetivamente realizado os contatos solicitados ou atendido aos pedidos feitos pelo banqueiro.
A nova manifestação integra uma estratégia política mais ampla do candidato, que vem intensificando as críticas a ministros do Supremo durante sua pré-campanha à Presidência.
A Corte e seus integrantes passaram a ocupar espaço recorrente nas manifestações de Zema, inclusive por meio de sátiras publicadas nas redes sociais.
Entre as propostas defendidas pelo candidato está o fim do que ele denomina “farra dos intocáveis”. A expressão é utilizada por Zema para sustentar a necessidade de mudanças no tratamento conferido a autoridades que, em sua avaliação, estariam fora do alcance da responsabilização.
Os dados utilizados na manifestação de Zema foram obtidos a partir do celular de Daniel Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo os metadados analisados, uma versão do contrato que Vorcaro havia devolvido a Viviane Barci de Moraes em 15 de janeiro de 2024 foi posteriormente aberta e modificada no Office 365 vinculado ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O registro aponta que a alteração ocorreu às 23h04 daquela data. O horário corresponde a aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter enviado o documento à advogada pelo WhatsApp.
O arquivo tinha como autor original Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes.
Pelas condições previstas no contrato, seriam pagas 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. A soma dessas parcelas alcançaria R$ 108 milhões.
Quando considerados os valores brutos estabelecidos no documento, porém, o montante previsto chegava a R$ 131.274.351,72.
Procurado para comentar os metadados do arquivo, Moraes não se manifestou. A defesa de Daniel Vorcaro também não respondeu.
Sensação
Vento
Umidade





