A Vale vai investir R$ 54,2 milhões em uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para desenvolver pesquisas voltadas ao uso de biocombustíveis em motores ferroviários de grande porte. O projeto pretende avaliar tecnologias capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência energética das locomotivas utilizadas pela companhia.
O acordo de parceria para pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), no valor exato de R$ 54.185.171,83, foi firmado entre a Vale e a UFMG em 27 de agosto e publicado no Diário Oficial da União em 1º de setembro. A Fundação Christiano Ottoni participa da iniciativa como interveniente. O projeto terá duração até dezembro de 2030.
Batizada de “Estudo da aplicação de biocombustíveis com nanocatalisadores para redução de emissões de gases de efeito estufa e aumento de eficiência energética em motores ferroviários de grande porte”, a pesquisa combina o desenvolvimento de combustíveis de origem renovável com tecnologias de catalisação aplicadas aos motores.
Na prática, a iniciativa busca encontrar alternativas que permitam reduzir a dependência do diesel no transporte ferroviário de minério sem comprometer o desempenho dos equipamentos. A pesquisa também amplia a frente de estudos da Vale para a descarbonização de sua operação ferroviária.
O uso de biocombustíveis é uma das frentes consideradas pela Vale em sua estratégia de redução das emissões de carbono. A empresa vem avaliando diferentes tecnologias para substituir ou reduzir o consumo de combustíveis fósseis em equipamentos utilizados nas operações de mineração e transporte.
No relatório anual de 2025, a companhia informou que mantém iniciativas voltadas à substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis, além de projetos envolvendo tecnologias inovadoras. Entre elas estão estudos para desenvolvimento de locomotivas e caminhões com tecnologia dual fuel, que permite combinar diferentes combustíveis.
A companhia também informou que iniciou, em 2025, testes de utilização dos combustíveis B30 e B50, misturas de biodiesel e diesel, em caminhões fora de estrada. Segundo a Vale, os testes podem resultar em redução de emissões de até 35% em comparação com o diesel atualmente utilizado pela empresa no Brasil.
A pesquisa com a UFMG ganha relevância pelo peso do transporte ferroviário na operação da mineradora. A Vale utiliza duas ferrovias no país: a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
Segundo dados divulgados pela empresa, as duas ferrovias reduziram em 2025 o consumo anual previsto em 11 milhões de litros de diesel, o equivalente a aproximadamente 28 mil toneladas de CO₂ equivalente.
O novo projeto pretende avançar justamente na busca por soluções tecnológicas aplicáveis aos motores de grande porte empregados no transporte ferroviário.
A Vale já desenvolve outras iniciativas para reduzir as emissões de suas locomotivas. Em parceria com a Wabtec, por exemplo, a mineradora anunciou estudos sobre combustíveis alternativos e adquiriu três locomotivas elétricas a bateria para formar a primeira composição híbrida do país, combinando equipamentos elétricos e diesel-elétricos.
Para a universidade mineira, a parceria representa a aplicação de conhecimento científico em um desafio concreto da indústria: aumentar a eficiência energética e reduzir o impacto ambiental de operações ferroviárias de grande escala.
A pesquisa também se insere em um ambiente de expansão dos investimentos brasileiros em tecnologias relacionadas a biocombustíveis e propulsão alternativa. A Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), ligada à UFMG, coordena a Linha V/ Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover, iniciativa federal voltada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no setor de mobilidade.
Embora a nova parceria com a Vale tenha foco específico em motores ferroviários, a utilização de biocombustíveis e de sistemas catalíticos aproxima o projeto de uma agenda mais ampla de desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir o uso de combustíveis fósseis em sistemas de transporte de alta demanda energética.
Com duração prevista de pouco mais de quatro anos, o projeto terá execução até 27 de dezembro de 2030. O investimento de R$ 54,18 milhões será destinado às atividades previstas no acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação firmado entre as instituições.
A expectativa é que os estudos produzam conhecimento e soluções com potencial de aplicação industrial, especialmente em equipamentos ferroviários de grande porte.
A iniciativa reforça, assim, uma tendência que vem ganhando espaço no setor de mineração: a busca por tecnologias capazes de conciliar eficiência operacional, redução de custos energéticos e descarbonização em uma das etapas mais intensivas em combustível da cadeia mineral.
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